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IFFar

Nos dias 8 e 11 de junho, estudantes dos cursos de Agronomia e Sistemas para Internet, além de turmas dos terceiros anos do ensino médio do IFFar – Campus Panambi, participaram da palestra "Transparência e segurança do voto eletrônico", ministrada pelo representante do Cartório Eleitoral, Maciel Gaspar Klock.

Em um cenário marcado por debates recorrentes sobre a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro, a atividade teve como objetivo esclarecer o funcionamento dos mecanismos que garantem a segurança, a transparência e a integridade da votação eletrônica no país. Ao longo da apresentação, foram abordados desde os fatores que motivaram a adoção da urna eletrônica até os controles técnicos presentes em cada etapa do sistema eleitoral.

Klock detalhou os mecanismos de segurança, transparência e auditoria que compõem o sistema, entre eles a criptografia de hardware e software, a certificação das urnas, a identificação biométrica, a inspeção do código-fonte, os testes públicos de segurança e a assinatura e publicação dos resumos digitais (hashes) dos sistemas. O palestrante também explicou a diferença entre resumo digital, relacionado à integridade dos dados, e assinatura digital, vinculada à autenticidade das informações.

Ao tratar das possíveis formas de fraude frequentemente mencionadas em discussões públicas, a apresentação analisou três aspectos centrais: o código-fonte da urna, eventuais ataques ao equipamento e a etapa de transmissão e totalização dos votos. Sobre o percurso do voto até a divulgação dos resultados, Klock destacou que o Boletim de Urna é impresso e afixado na seção eleitoral, além de ser distribuído à junta de apuração e aos fiscais presentes, tornando o resultado público já naquele momento.

Cada Boletim de Urna possui um QR Code, e o Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza um aplicativo de código aberto para sua leitura. Dessa forma, qualquer cidadão pode conferir os boletins e compará-los com os resultados divulgados oficialmente, ampliando as possibilidades de fiscalização do processo.

Em relação ao código-fonte, o palestrante explicou que ele passa por rigoroso controle de versões e é submetido a testes realizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e pelos cartórios eleitorais de todo o país, além de poder ser inspecionado por diversas entidades externas à Justiça Eleitoral. Conforme a Resolução TSE nº 23.673/2021, estão aptos a realizar auditorias partidos políticos, coligações, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Congresso Nacional, Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal, universidades e outras instituições credenciadas.

Após as inspeções, os sistemas são lacrados e o código-fonte é armazenado em mídia não regravável, acondicionada em invólucro lacrado na sala-cofre do TSE, garantindo que o software utilizado nas urnas seja exatamente o mesmo que foi auditado.

Sobre possíveis ataques diretos aos equipamentos, Klock apresentou os dispositivos internos de segurança responsáveis por verificar a assinatura digital de cada arquivo executado. Segundo ele, caso um programa não possua a assinatura legítima do TSE, a urna interrompe seu funcionamento e emite alertas de segurança. Também foram apresentados os mecanismos de validação em hardware que verificam cada componente durante a inicialização do equipamento, impedindo a execução de programas não autorizados ou a utilização do software da urna em outros dispositivos.

A palestra abordou ainda o funcionamento dos chamados "alarmes falsos", as características dos processos eleitorais em outros países e os desafios relacionados à disseminação de informações incorretas sobre o sistema de votação.

Ao final, Klock destacou que a urna eletrônica surgiu para atender a necessidades concretas do contexto brasileiro e constitui um sistema robusto, especialmente sob o aspecto da segurança, embora o aperfeiçoamento contínuo seja indispensável. Para ele, a atual crise de confiança está fortemente associada à circulação de boatos e informações sem fundamento, reforçando a importância de iniciativas de esclarecimento e educação cidadã como a realizada no IFFar – Campus Panambi.

Publicado em Notícias Panambi

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  • 25/06/26
  • 10h53
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