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IFFar pesquisa utilização de resíduos agroindustriais para recuperação de solos

Publicado em Quarta, 08 de Julho de 2026, 13h08 | por Secretaria de Comunicação | Voltar à página anterior

Para marcar o Dia Nacional do Pesquisador e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o IFFar destaca dois projetos coordenados por mulheres recentemente aprovados em editais de fomento. Um deles é a pesquisa do Campus São Vicente do Sul que busca transformar resíduos agroindustriais em bioinsumos para recuperar solos degradados.

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Foto: estudantes do Campus São Vicente do Sul trabalham em pesquisas no Laboratório BioAg

O Dia Nacional do Pesquisador é celebrado em 8 de julho. Já a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2026), ocorre de 26 de outubro a 1º de novembro e tem como tema “Ciência Delas”. Para marcar as datas, o IFFar destaca dois projetos protagonizados por professoras dos campi Alegrete e São Vicente do Sul.

A pesquisa intitulada Regeneração Ambiental com Bioinsumos no Interior do Rio Grande do Sul tem coordenação da professora do Campus São Vicente do Sul Emanuele Junges. A proposta foi aprovada no Edital nº 06/2025 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e receberá investimento de até R$60 mil ao longo de 36 meses.

O projeto parte de um problema concreto. As enchentes registradas no estado em 2024 causaram erosão severa, perda de nutrientes e degradação estrutural em áreas agrícolas da região central do Rio Grande do Sul, comprometendo a capacidade produtiva e ambiental do solo.

Ao mesmo tempo, resíduos agroindustriais como vinhaça, melaço e subprodutos do processamento de frutas seguem sendo gerados em grande volume pelas cadeias produtivas da região. O descarte ou manejo inadequado desses materiais representa um desafio ambiental.

A proposta da pesquisa é unir esses dois cenários.

“Em termos simples: o projeto busca transformar resíduos que hoje têm pouco aproveitamento, são passivos ambientais ou geram alto custo para destinação em produtos capazes de ajudar na recuperação da saúde do solo”, explica Emanuele.

Esses resíduos serão utilizados como base para o cultivo de microrganismos benéficos. A partir disso, serão desenvolvidos bioinsumos líquidos e microencapsulados. O objetivo é aumentar a estabilidade desses microrganismos e permitir sua liberação controlada no solo.

Segundo a pesquisadora, os bioinsumos são tecnologias de origem biológica capazes de melhorar processos produtivos de forma mais sustentável. Embora sejam frequentemente associados à agricultura, também podem ser usados em áreas como tratamento de resíduos, recuperação ambiental e tratamento de águas.

“O projeto é baseado na economia circular. Aquilo que antes era considerado um descarte passa a ser utilizado como matéria-prima para gerar soluções que retornam para a agricultura”, afirma.

A expectativa é que os produtos desenvolvidos auxiliem na recuperação biológica dos solos, estimulando a atividade microbiana, a ciclagem de nutrientes e a retomada da fertilidade.

Emanuele destaca que os bioinsumos não são uma solução isolada, mas podem integrar estratégias de médio e longo prazo para regeneração ambiental. A professora do Campus São Vicente do Sul também ressalta que a aplicação do produto não se restringe às áreas alagadas nas enchentes de 2024.

“Buscamos desenvolver tecnologias capazes de ajudar o solo a recuperar sua funcionalidade, sua fertilidade e sua capacidade de sustentar sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis”, diz.

A ideia é que, por meio de parceria com empresas, os protótipos desenvolvidos se tornem produtos comercializáveis, estendendo assim os benefícios da pesquisa para o setor produtivo e criando oportunidades de desenvolvimento regional.

 

Projeto é parte de pesquisa construída ao longo de mais de uma década

Embora aprovado recentemente, o projeto integra uma trajetória já consolidada no Campus São Vicente do Sul. Segundo Emanuele, são mais de 12 anos de pesquisas envolvendo microrganismos, bioinsumos, aproveitamento de resíduos agroindustriais e recuperação ambiental.

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Foto: vista aérea do Campus São Vicente do Sul, onde é desenvolvida pesquisa da professora Emanuele Junges

O trabalho é desenvolvido pelo Laboratório BioAg, que reúne ações de pesquisa, extensão e inovação. O BioAg é coordenado pela professora Emanuele Junges e tem participação de estudantes do curso de Agronomia do Campus São Vicente do Sul.

Os recursos da Fapergs devem ser destinados à compra de materiais de laboratório, reagentes, análises, bolsas de pesquisa e execução de experimentos. Para a pesquisadora, o financiamento funciona como um impulso para uma estrutura científica construída ao longo de anos.

“O recurso de R$60 mil é extremamente importante, mas ele faz parte de um esforço muito maior, que envolve infraestrutura já instalada, equipamentos adquiridos em projetos anteriores, formação de recursos humanos e uma ampla rede de colaboração construída ao longo do tempo”, afirma.

O projeto conta com a colaboração da doutoranda Marisa Ana Strahl, e do pós-doutorando Lucas Savian, ambos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A proposta também prevê bolsa para estudantes do IFFar.

Além disso, a pesquisa tem o apoio de instituições parceiras como a UFSM e o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), e as empresas StarBio Agro e BioOn.

 

Trabalho reflete protagonismo feminino na pesquisa do IFFar

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia tem como tema “Ciência Delas”. Coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o evento busca dar visibilidade ao protagonismo de mulheres e meninas na produção científica.

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Foto: professora Emanuele Junges (no centro, abaixada) e alunos que integram o Laboratório BioAg do Campus São Vicente do Sul

No IFFar, a participação feminina na pesquisa já é expressiva. Dados institucionais de 2025 mostram que 79,38% dos bolsistas em projetos de pesquisa são mulheres. Entre os projetos em execução, 46,66% têm coordenação feminina.

Para Emanuele Junges, o avanço é significativo, mas ainda há desafios.

“Os avanços das mulheres na ciência são inegáveis. Hoje vemos cada vez mais meninas ingressando em cursos das áreas de ciência, tecnologia e agrárias, participando de projetos de pesquisa e ocupando espaços que, historicamente, eram predominantemente masculinos”, avalia.

Segundo ela, ampliar a presença feminina em espaços de liderança e decisão ainda é um passo necessário. “A diversidade de experiências e perspectivas fortalece a ciência, a inovação e o próprio agro. A ciência precisa de talento, dedicação e criatividade, e essas características não têm gênero”, conclui.

 

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Secom

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