Projeto de professora do IFFar propõe Plataforma de IA para aprendizagem jurídica
Para marcar o Dia Nacional do Pesquisador e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o IFFar destaca dois projetos coordenados por mulheres recentemente aprovados em editais de fomento. Uma das iniciativas é a pesquisa da professora Andréia dos Santos Sachete, que prevê a criação de uma ferramenta de inteligência artificial para apoiar processos de aprendizagem no contexto jurídico.

Logotipo da LexIA, plataforma de aprendizagem adaptativa com inteligência artificial.
O Dia Nacional do Pesquisador é celebrado em 8 de julho. Já a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2026), ocorre de 26 de outubro a 1º de novembro e tem como tema “Ciência Delas”. Para marcar as datas, o IFFar destaca dois projetos protagonizados por professoras dos campi Alegrete e São Vicente do Sul.
LexIA será voltada à capacitação no contexto jurídico
O projeto “LexIA: Plataforma Adaptativa de Aprendizagem com Inteligência Artificial”, aprovado no Edital Fapergs 01/2026, é coordenado pela professora Andréia Sachete, com participação do professor Fábio Diniz Rossi, ambos do Campus Alegrete.
A experiência dos pesquisadores dialoga diretamente com a proposta. Andréia é doutora em Informática na Educação e desenvolve pesquisas voltadas à aprendizagem adaptativa e ao uso de inteligência artificial aplicada ao ensino, área em que liderou o desenvolvimento do AdaptiveGPT. Fábio é doutor em Ciência da Computação e atua em áreas ligadas à inteligência artificial e ao desenvolvimento de sistemas, contribuindo com a parte tecnológica da plataforma.
O projeto prevê a criação da LexIA, uma plataforma de aprendizagem adaptativa baseada em inteligência artificial, capaz de personalizar trajetórias de aprendizagem, gerar conteúdos dinâmicos e fornecer feedbacks contextualizados. A ferramenta será voltada às demandas específicas do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), com foco na capacitação de magistrados, servidores e colaboradores.
A LexIA não parte do zero. O sistema tem como base o AdaptiveGPT, ferramenta desenvolvida pela professora Andréia para gerar trajetórias de aprendizagem personalizadas a partir de diferentes indicadores no processo formativo.
Assim como no AdaptiveGPT, a proposta da LexIA é ir além de uma avaliação baseada apenas em acertos e erros. A ideia é compreender melhor como cada pessoa aprende, considerando não apenas o desempenho, mas também a forma como as respostas são elaboradas, o envolvimento com as atividades e a evolução ao longo do processo.
Para Andréia, a aprovação do projeto representa uma conquista importante para a visibilidade do IFFar. “Concorreram várias instituições e apenas oito propostas foram selecionadas. Geralmente, os projetos aprovados são de grandes universidades, por isso esse resultado fortalece a visibilidade do IFFar e demonstra a qualidade das pesquisas desenvolvidas no Instituto”, avalia.
Como a LexIA funcionará
Na prática, a plataforma funcionará a partir do material instrucional inserido pelo responsável pelo treinamento. A partir desse conteúdo, a ferramenta poderá gerar questões, avaliar respostas e oferecer devolutivas personalizadas.
“Se eles decidirem, por exemplo, colocar uma lei e fazer um treinamento sobre ela, a ferramenta vai ler esse material e gerar questões a partir dele. Se for outro tipo de treinamento, é só colocar o material instrucional, e a ferramenta gera as atividades”, afirma a professora.
A LexIA também foi pensada para trabalhar exclusivamente com o conteúdo disponibilizado pelo responsável pelo treinamento, sem buscar informações em fontes externas. Essa característica reforça o controle e a segurança das informações utilizadas pela ferramenta. “Ela não vai buscar dados fora. Não existe material externo, ou base externa, que ela consulta. Ela fica limitada ao material instrucional”, explica Andréia.
Com isso, a expectativa é contribuir para a modernização dos processos de capacitação no TJRS, oferecendo uma ferramenta capaz de personalizar conteúdos, atividades e feedbacks conforme o perfil e a evolução de cada usuário.
Tecnologia local será utilizada para proteger os dados
A principal mudança da LexIA em relação ao AdaptiveGPT é o uso de pequenos modelos de linguagem, chamados de SLMs (Small Language Models). De forma geral, eles são versões menores dos grandes modelos de linguagem usados em ferramentas de inteligência artificial e, por exigirem menor capacidade computacional, podem ser executados localmente, dentro da própria instituição.
Andréia explica que essa escolha está relacionada à segurança e à privacidade dos dados. “A LexIA vai utilizar um pequeno modelo de linguagem, porque será voltada à capacitação no contexto jurídico, e esses dados não podem sair do ambiente do Tribunal. A ideia é especializar um modelo que possa ser instalado localmente, sem necessidade de acessar uma ferramenta externa. O modelo fica dentro da própria instituição”, afirma.
Esse formato também permite uma adaptação mais direcionada da ferramenta, ajudando-a a compreender a linguagem técnica, os materiais especializados e a atualização constante do ecossistema jurídico.
A implementação de um modelo local é um dos principais desafios técnicos e científicos do projeto. Por serem menores que os grandes modelos de linguagem, os SLMs exigem testes, ajustes e alinhamentos para responder de forma adequada ao contexto jurídico e às necessidades da plataforma.
Para auxiliar nessas e outras demandas, a iniciativa contará com a participação de bolsistas do IFFar.
Estudantes do IFFar terão a chance de contribuir com o desenvolvimento da LexIA
O projeto também contribuirá para a formação de estudantes e pesquisadores. A equipe contará com a participação de um bolsista do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do IFFar, que atuará no desenvolvimento tecnológico da plataforma, e de um bolsista de mestrado, responsável por atividades relacionadas a pesquisa, avaliação e aprimoramento dos modelos de inteligência artificial e da aprendizagem adaptativa.
Para a professora, envolver os estudantes é uma oportunidade de aproximá-los de uma área cada vez mais presente na sociedade. “A inteligência artificial é algo que veio para ficar, e nada é mais gratificante do que oferecer oportunidade para os alunos aprenderem. Todo mundo usa ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, mas, às vezes, falta entender como funciona o modelo por trás. O projeto proporciona isso: trazer os alunos para uma discussão sobre uma tecnologia que veio para ficar”, destaca.
Desenvolvimento do projeto e previsão de conclusão
Como o projeto foi aprovado recentemente, a LexIA está em fase de preparação. Os primeiros passos dependem da aquisição da infraestrutura necessária, em especial, um computador com maior capacidade de processamento, que permitirá executar os modelos locais.
A execução do projeto está prevista para ocorrer ao longo de 24 meses, dividida em etapas de modelagem, desenvolvimento, testes, validação e consolidação da plataforma.
Os recursos aprovados para o projeto, no valor de R$ 198 mil, serão destinados à aquisição de equipamentos com maior capacidade de processamento e ao pagamento de bolsas. Os equipamentos serão necessários para o desenvolvimento, treinamento e teste dos modelos de linguagem locais, enquanto as bolsas possibilitarão a participação de estudantes do IFFar nas atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Secom
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